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São Paulo SP Brasil

CONCURSO PÚBLICO PARA NOVAS TIPOLOGIAS DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL SUSTENTÁVEIS


PRÊMIO DE 1° LUGAR

cdhu

cdhu

"todos sob o mesmo teto"

FICHA TÉCNICA

Local: Campos do Jordão, São Paulo
Status: projeto concluído
Data do concurso: julho 2010
Arquitetura: Augusto Aneas, Fernão Morato e Guilherme Ortenblad
Consultoria: Aline Ollertz (pesquisa),
Nova Engenharia: Mauro Zaidan (orçamento)
Werner Sobek: Jörg Spangenberg
Estrutura, elétrica e hidráulica: Paulo Roberto Amara

Como resposta ao Concurso Público Nacional de Arquitetura para Tipologias de Habitação de Interesse Social Sustentável, apresentamos a proposta “Sob o mesmo Teto”, para a categoria “Casas Escalonadas”. O objetivo dessa proposta é especular sobre como transportar para as tipologias de habitação do CDHU a ideia de Sustentabilidade, numa interpretação mais ampla desse conceito. A tipologia sustentável não é apenas aquela com desempenho energético eficiente, um orçamento enxuto, plano de coleta seletiva, ou mesmo com reaproveitamento do calor do sol e da água das chuvas. A tipologia sustentável é aquela que faz parte de um organismo maior, ela também é cidade. Sendo assim, é necessário que essa tipologia sustentável seja dinâmica e flexível, atributos essenciais ao meio urbano de hoje. Esse é o ponto de partida dessa proposta. Para desenvolver essa lógica, é necessário um rompimento com as estratégias habitacionais predominantemente correntes. As tipologias habitacionais, hoje, tendem a se manter monofuncionais, estáticas e ausentes do conceito de lugar e identidade, o que é um equívoco e se opõe à ideia de sustentabilidade urbana. Como consequência, essas tipologias geram ausência de urbanidade e diversidade, quesitos tão desejados em todas as cidades e em qualquer território delas.

lógica de implantação e agrupamentos

IMPLANTAÇÃO

A implantação das tipologias foi orientada para se obter a densidade de 150 hab/ha, tendo o campo de futebol como referência central e ordenadora do conjunto habitacional. A implantação considera a disposição geográfica, acomodação na topografia, aspectos individuais de cada tipologia e as diferentes situações geradas pela combinação entre elas. Foram criados pátios coletivos definidos pelo agrupamento das 3 tipologias e implantados numa mesma cota de nível para permitir a acessibilidade universal às tipologias e definindo a escala próxima de vizinhança, responsáveis pela sua manutenção. O pátio interno social potencializa a escala íntima da família formando um espaço social contínuo e integrado. O pátio interno de serviços permite a acessibilidade ao telhado multifuncional, que abriga a infraestrutura sustentável da casa.

TIPOLOGIA E TOPOGRAFIA


O projeto tem 3 tipologias de casa: a casa aclive, a casa declive e a casa-ponte. A intenção foi destacar no projeto a relação entre a edificação e a topografia. São tipologias adaptadas a diferentes situações topográficas, incluindo as de terrenos mais acidentados, situação muito comum enfrentada em projetos de habitação social. Todas são acessíveis por duas cotas de nível cuja diferença nesse projeto não ultrapassa 1,5 metros. Esses dois níveis geram adaptações das tipologias a diferentes topografias, com escada adaptável para o desnível necessário. Através das permutações entre as tipologias, é gerado um desenho urbano dinâmico, uma paisagem com situações singulares e que se adapta fácil a contextos diferentes.

a. casa aclive

A Casa Aclive possui grande possibilidades de ampliação, que ocorre na cota inferior, sendo favorável para o aumento de pessoas na família, além de ter grande potencial para abrigar funções urbanas (comércio, serviços, entre outros).

b. casa declive

A casa declive possui três pátios em diferentes cotas de nível. Na cota superior o pátio quando descoberto pode ser usado como área de lazer e quando coberto transforma-se em um cômodo a mais.

pátio: a casa com pátio é uma solução urbana conveniente, já que auxilia o assentamento em contextos de alta densidade, garantindo as exigências de conforto ambiental em tais situações. O pátio assinala o vazio nas tipologias, não devendo ter a cobertura fechada, pois é ele que garante a iluminação, ventilação e, principalmente, permitir o acesso ao teto multifuncional. A intenção de adotar a casa com pátio foi influenciada pela própria localização do terreno proposto – Campos do Jordão – que possui clima particular e agradável. No entanto a tipologia se aplica perfeitamente a outros contextos, desde que levando em consideração os atributos geográficos específicos do lugar de implantação a fim de alcançar o melhor desempenho do edifício.

c. casa ponte

A Casa Ponte possui a propriedade de articular as outras duas tipologias. Sua acomodação no terreno tem como objetivo gerar na cota de nível inferior uma marquise coletiva e um espaço coberto para descanço. Sua planta remete à disposição de quartos da planta bandeirista e gera a possibilidade de entradas independentes para os seus três dormitórios, sendo favorável para receber hóspedes ou sublocar cômodos. A ampliação perto da passagem é conveniente para pequenos comércios.

ESPAÇOS FLEXÍVEIS

Os espaços flexíveis permitem um programa aberto à ampliações futuras com usos distintos, criando espaços, deixando espaços, criando diversidade e urbanidade. São áreas adicionais ao programa habitacional básico dentro das próprias unidades. Tais áreas são cobertas e pré delimitadas e permitem, além da própria ampliação da moradia em si, a acomodação de funções urbanas, tais como comércio, serviços, entre outros. Ao inserir o conceito de espaços flexíveis na tipologia de Casas Escalonadas do CDHU, rompemos com a banalização da paisagem monofuncional em prol de uma paisagem dinâmica e diversificada e fornecemos um espaço de oferta para a comunidade: uma oportunidade de gerar manifestações de lugares específicos, adequados a situações específicas. Sendo assim, a ampliação admite a interpretação e assume sua identidade pelo uso.

TETO MULTIFUNCIONAL

O teto multifuncional é a instrumentalização da cobertura como infra-estrutura básica da moradia. O teto acolhe as funções sustentáveis da edificação e faz a comunicação dela com as instalações urbanas. O desenho do telhado busca um maior desempenho da captação de água pluvial. Coletada através de calhas–floreiras, a água pluvial é reutilizada na própria tipologia. O desenho do telhado busca também a face norte para disposição dos painéis solares para aquecimento de água. O painel solar é o próprio telhado, não havendo sobreposição de materiais e eliminando a redundância de duas coberturas.

CONFORTO AMBIENTAL

O projeto contempla: iluminação e ventilação pelos pátios; todos os cômodos bem ventilados; localização do reservatório e boiler e sua ligação com o painel solar; depósito de lixo reciclável; calha pluvial com plantas (que retêm a água e contribuem para a sua filtragem); parede de pedra e lareira (pedra local, artesanal), no caso específico de Campos do Jordão, por ser frio. Em outras situações a lareira pode ser trocada por uma churrasqueira ou outro elemento útil a cada situação, e a pedra também pode ser trocada por outro revestimento local. Foi escolhida a telha cerâmica, energeticamente eficiente, por gerar inércia térmica na cobertura. Em climas mais quentes, pode ser coberto por plantas formando um telhado verde. As janelas vão do piso ao teto nos quartos, protegidas visualmente por plantas. Os pátios possuem porta-balcão, permitindo maior ventilação e iluminação para a casa.